quinta-feira, 23 de agosto de 2007

samsara

os orientais acreditam que o mundo se move por ciclos que se repetem constantemente. e nesse ciclo de surgimento e desaparecimento estão todos as coisas, incluindo nós enquanto seres humanos que vivem, respiram e desejam coisas.

nós, assim como esse mundo, passamos todos por transformações, e essas mudanças obedecem uma regra geral que eu chamo de Harmonia. assim absolutamente nada nem ninguém escaparia a essa regra universal da harmonização.

plantio e colheita, causa e efeito, contrários e semelhantes, forte e fraco... assim funciona essa Lei universal.

e necessariamente todos se adequam a essa Lei, sem que tenham que se conformar ou se rebelar a ela. porque o fluxo da Vida não permite violência nem rebeliões. não permite inadequações porque a isso lhe é indiferente. dessa forma, todos viventes estão inclusos. adequar-se ou não a essa regra é apenas uma questão de posicionamento diante de Vida. os que não se curvam diante dela perecem e desaparecem. em outras palavras, os que não se harmonizam a essa Lei tendem a efemeridade.

dos poucos seres viventes que compreendem esse ciclo, muitos deles sofrem por perceberem que esse fluxo é irreversível e indiferente aos seus desejos. os tantos outros que ainda desconhecem essa Lei sofrem muito mais por não se adequarem a ela e por não perceber o que se passa ao seu redor.

feliz do Homem que compreende seu momento! mas isso, infelizmente é um privilégio concedido a poucos. porque no final das contas, todos sofrem.

alguns sofrem porque sabem e sentem, outros ainda sofrem mais por que a desconhecem e por isso ficam perdidos por entre o Fluxo interminável.

e neste sentido, é necessário se perder pra se achar, e uma vez se achando, voltar a se perder, sem que a Harmonia seja maculada. a isso eu chamo serenidade.