segunda-feira, 6 de agosto de 2007

como nascem as pérolas

a Natureza é sábia no que faz. não há absolutamente nenhum exemplo dado por Ela que nós não possamos tomar para refletir melhor sobre a nossa vida.

um belíssimo exemplo que eu vou mostrar aqui, é como nascem as pérolas. a ostra, para poder sobreviver, ela tem que se abrir completamente para captar os nutrientes que estão presentes na água.

acontece que em um momento em que ela se abre para poder se nutrir, e junto com o alimento ela termina por ingerir também algum corpo estranho, como um grão de areia, por exemplo.

o grão de areia, ao adentrar na ostra fere o seu interior, causando danos à estrutura interna da concha. mas mesmo assim, a ostra necessita fazer esse movimento de abrir-se para captar nutrientes repetidas vezes, pois do contrário ela desfalece e morre.

há algumas belezas nessa situação da ostra:

ou se abre para se nutrir, mesmo sob o risco de causar algum sofrimento; ou do contrário, permanece hermeticamente fechada e morre por inanição.

mas no que se resolve se abrir para se alimentar e sobreviver, ela corre o risco de se expor às ameaças externas, que estão presentes na água e vêm junto com o alimento.

nesse risco eminente - entre a morte certa e a possibilidade de uma vida em sofrimento - ela naturalmente opta pela segunda opção, e ao se expor, é invadida pelo grão de areia. na invasão, a ostra, para aliviar o sofrimento e o incômodo que sente pelo grão de areia libera uma substância, que por sua vez é a mesma que compõe a proteção de suas conchas.

e nisto vemos outra beleza na situação da ostra:

a fim de cessar o sofrimento e o incômodo pelo grão de areia, ela deixa de cuidar da proteção externa e passa agora a tentar minimizar a dor e o sofrimento que sente, revestindo o grão de areia com o mesmo material que deveria estar reforçando as paredes externas de suas conchas

o nome dessa substância liberada chama-se madrepérola.

daí que uma ostra que nunca passou por isso, nunca será capaz de produzir uma pérola.

assim me vem a terceira beleza que posso observar sobre as ostras:

suas pérolas são causadas pela dor e pelo sofrimento, e que por uma questão de amor-próprio e auto-preservação a reveste com aquilo que lhe é mais importante, a fim de que não sofra mais com os arranhões do grão de areia.

logo, toda pérola é uma dor que chegou a seu termo pelo amor à Vida.